terça-feira, 20 de outubro de 2009

I Simpósio Nacional de Ciências Sociais - Região e Poder



O I Simpósio Nacional de Ciências Sociais tem por objetivo promover o diálogo entre pesquisas em diferentes áreas das Ciências Sociais acerca das relações entre região – entendida aqui em um sentido abrangente, tanto com relação às particularidades locais quanto aos aspectos territoriais que afetam os problemas sociais – e o fenômeno do poder, em suas diversas manifestações. Para tanto, propõe a reunião de estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e docentes, gestores e representantes da sociedade civil em torno das múltiplas questões envolvidas nas diversas abordagens das relações entre região e poder. A temática central do Simpósio busca, portanto, focar as implicações mútuas entre as noções de região e poder, a fim de problematizar a relevância dos aspectos regionais - particularmente da região Centro-Oeste, mas estendível a demais circunscrições geográficas ou simbólicas – na determinação e enfrentamento das questões sociais insurgentes. Entende-se, por um lado, que problemas regionais persistem desafiando uma compreensão menos localizada do fenômeno do poder e, por outro, que o estudo de temas caros às Ciências Sociais (questões referentes à memória coletiva, às identidades sociais e à soberania política, por exemplo) precisa atentar para a força das peculiaridades da região na demarcação dos problemas relevantes, a despeito da globalização cada vez mais acentuada. No auxílio ao entendimento desses dois aspectos distintos, a noção de representação pode fornecer recursos importantes para a delimitação dos referidos problemas. A reivindicação por representatividade diz respeito à incorporação de perspectivas excluídas, seja no campo da cultura, na afirmação de gênero ou nas relações políticas. O fluxo permanente entre as diversas representações possíveis - em suas formas mais convencionais ou nas inovações que contestam os parâmetros tradicionais – é a marca da possibilidade permanente de renovação. Trata-se, assim, de congregar contribuições dos pontos de vista da Antropologia, da Sociologia e da Ciência Política para esse debate, no esforço concomitante de se consolidar o lugar da região Centro-Oeste no cenário de ensino e pesquisa no país.

Mais informações e inscrições: http://www.cienciassociais.ufg.br/sncs/

domingo, 27 de setembro de 2009

A Atualidade Metodológica de Marx

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Novos Livros lançados



VIANA, Nildo. A Concepção Materialista da História do Cinema. Porto Alegre, Asterisco, 2009.

TEXTO DA ORELHA:

A maioria das obras de história do cinema possui limites que precisam ser superados, tal como seu caráter descritivo, que consiste em elencar nome de filmes, diretores e outros detalhes, sem maior aprofundamento e geralmente tendo por base uma ideologia cinematográfica. A historiografia tradicional do cinema também é descritiva e pouco contribui para um entendimento das mutações do processo de produção dos filmes e dos conteúdos veiculados por eles, tal como a abordagem formalista, que é ahistórica. Os poucos estudos influenciados pelo marxismo sobre o cinema padecem de problemas metodológicos e teóricos devido a influência da teoria do reflexo de Lênin e da estética realista derivada dela. Neste contexto, torna-se necessário discutir as bases teórico-metodológicas para uma história do cinema que ultrapasse a mera descrição, o formalismo e os demais problemas interpretativos. O materialismo histórico fornece o método e teoria necessários para superar tais limites. As categorias de totalidade e determinação fundamental e os conceitos de capitalismo, luta de classes, ideologia, entre outros, são a chave para a produção de uma reconstituição histórica do cinema tendo por base o materialismo histórico. A presente obra discute a relação entre história e cinema, apresentando uma crítica da historiografia do cinema e apresentando as bases teórico-metodológicas para uma história social do cinema e exemplifica este procedimento analisando o expressionismo cinematográfico alemão.

Para ler o prefácio de Jean Isídio dos Santos, clique aqui.



VIANA, Nildo. Linguagem, Discurso e Poder. Pará de Minas, Virtualbooks, 2009.

O livro discute as relações entre linguagem e sociedade, abordando a questão do discurso como manifestação do poder, o preconceito linguistico e a relação entre idioma, expansão capitalista e imperialismo, bem como o papel libertário do esperanto.

sábado, 18 de julho de 2009

Conceitos básicos de Sociologia referente a obra Feito por encomenda

COERÇÃO SOCIAL


Chamamos de coerção social à força da coletividade e da sociedade sobre a vontade individual.Èmile Durkheim percebia de modo tão categórico a importância dessa orientação da sociedade sobre seus membros que chegou a usá-la como elemento definidor de fatos sociais.Para ele,fato social é aquele fenômeno que, sendo exterior ao indivíduo, a ele se impõe de maneira decisiva.Coerção passa a ser a essência da vida social e da oposição entre imdivíduo e sociedade e entre natureza e cultura.
Outros autores, entretanto,como Parsons e Clyde Kluckholn, antropólogos norte-americano, estudaram a importância da coerção exercida pelos valores introjetados pelo indivíduo e que se manifestam sob a forma de ideais que ele busca satisfazer.Não existe nesse caso nenhuma oposição entre comportamento social e individualidade.Há na sociedade inúmeros mcanismos de coerção social, os quais dizem respeito tanto à maneira como se socializam os membros de uma sociedade- introjetando valores e normas- quanto aos recursos institucionalizados de controle social.Em toda relação social existem mecanismos de punição e recompensa pelos quais orientamos nossa ação e a dos outros.Além dessa possibilidade de coerção intersubjetiva, há formas institucionalizadas de coerção que se tornam mais radicais á medida que o comportamento que se queira regular assume uma dimensão mais coletiva.Nesses casos os sistemas de controle se tornam mais eficientes e deixam menor espaço para a decisão individual.
A teoria marxista, por sua vez, desenvolveu o pricípio pelo qual as classes sociais, tendo interesses opostos em relação à vida social, disputam o poder a fim de transformar esses interesses em ordem social.Nesse caso a coerção social se dá entre a classe dominante e a classe dominada e é uma das funções do poder existente na sociedade.


CONTROLE SOCIAL


Chamamos de controle social aos mecanismos materiais e simbólicos, disponíveis em uma dada sociedade, que visam eliminar ou diminuir as formas de comportamento desviantes individuais ou coletivas.Fazem parte desses mecanismos as formas de controle responsáveis pela introjeção de normas e valores sociais e pela socialização dos membros de uma sociedade, previstas principalmente na educação formal e na informal- escola e meios de comunicação.Também cinfiguram formas de controle social as regras que orientam as recompensas e as punições existentes tanto na sociedade como um todo, presentes em seus códigos e constituições, como as existentes em cada instituição particularmente.
Os processos de orientação das expectativas, os modelos sociais, as mensagens subliminares, os processos de valorização do comportamento individual e as regras de ascensão social são alguns dos mais eficientes macanismos de controle social.Quando todos esses falham ou quando, em decorrência da ambiguidade natural das mensagens sociais, o desvio ocorre, as formas instituídas de punição tendem a reafirmar os padrões da sociedade.A perda de benefícios e da liberdade, o confinamento, a segregação e a discriminação são alguns dos mecanismos de controle social.
A possibilidade conformativa dos mecanismos de controle social se assenta na interdependência essencial das relações sociais.Sem essa reciprocidade, própria da vida social, os agentes sociais não teriam poder sobre o comportamento individual.È ela que dá o caráter social às reações de um agente sobre as ações desviantes.O superego representaria o mecanismo internalizado de controle social.


IDEOLOGIA


Vocábulo criado para designar, no século XVIII, a ciência que deveria estudar os fenômenos mentais. Em Karl Marx, entretanto, o conceito adquire novo significado, designando a falsa consciência que os indivíduos manifestam acerca da realidade que os circunda, em razão das distorções provocadas pela posição que ocupam na estrutura de classes sociais.A ideologia transforma-se, então, numa construção simbólica e valorativa que, em defesa da uma ordem social, expressa uma visão de mundo relativa aos interesses das diferentes classes sociais.Segundo Karl Marx, apenas o proletariado, como classe revolucionária, poderia desenvolver uma ideologia capaz de apreender a realidade objetiva.
Com Karl Mannheim, estudioso da sociologia do conhecimento, área da sociologia que ajudou a fundar, o conceito de ideologia perde essa rigorosa vinculação com a estrutura de classes sociais. Por outro lado, o autor admite a possibilidade dos intelectuais romperem o véu que encobre a ideologicamente a realidade.
O conceito de ideologia mescla-se, muitas vezes, à noção de crença, como um conjuto de ideias que se organizam como sistema explicativo da realidade, baseado muitas vezes na tradição e na cultura e não na verificação objetiva de seus fundamentos.Essas crenças guiariam a conduta humana, justificando-a.Esse é provavelmente o sentido que quis dar o compositor Cazuza à palavra ao criar o refrão da música "Ideologia": ideologia- eu quero uma para viver.
Aprofundando esse viés construído principalmente pelo senso comum, ideologia confunde-se também com o conceito de utopia, um conjunto de crenças sobre a realidade e a história que, por seu alto grau de idealismo, apresentam-se como irrealidades.

IDENTIDADE, IGUALDADE E DIFERENÇA

A ideia de igualdade não é uma ideia facilmente aceitável na cultura humana.Desde as mais antigas civilizações, o homem buscou suas diferenças: de origem, de nacionalidade, de classe social. Toda a Antiguidade conheceu ideologias que pregavam diferenças no interior de uma sociedade e entre sociedades. Os hindus consideravam-se originários de partes diferentes do deus Brama- pés, mãos e cabeça, de onde teriam surgido os brâmanes, o que os tornaria radicalmente diferentes entre si. Tão diferentes que nem o casamento entre eles era consentidoPara os patrícios romanos, por exemplo, um plebeu era um ser muito diferente, e um não-romano era um bárbaro. Portanto, estabelecer diferenças parece ter sido sempre uma tendência da humanidade, para, por meio delas, procurar definir a essência humana e a razão de sua existência.
Foi a partir do cristianismo que emergiu na sociedade a noção de igualdade. O principio de que todos, sem exceção, somos filhos de Deus era absolutamente novo num mundo que procurava sempre identificar um único e verdadeiro povo escolhido. Concebida a ideia da igualdade original, a ela associou-se a ideia de bondade, caridade e vontade divina.
Nos séculos seguintes essa ideia de igualdade entre os homens foi se desenvolvendo e se firmando. Os filósofos da Ilustração procuraram descobrir novos aspectos dessa igualdade - vontade, liberdade e, enfim, igualdade jurídica e civil. Sempre mais no discurso do que na ação, reconheceu-se que todos os homens têm direito à justiça, ao trabalho, à liberdade, e assim por diante.
O socialismo procurou mostrar que a estrutura de classes sociais era responsável pelas diferenças entre os homens e a causa de todas as outras desigualdades- de educação, de interesses, de consciência. Assim, lutou por abolir as diferenças de classe para que se instaurasse uma sociedade realmente igualitária. A ideia teve milhões de adeptos e muitos morreram por ela.
O capitalismo, por sua vez, responsável por inúmeras novas diferenças entre os homens, desenvolveu, por outro lado, a indústria de massa, geradora de grande homogeneização no mundo, diluindo diferenças e padronizando estilos de vida e consumo. Associada ao marketing e aos meios de comunicação, a globalização, no século XXI, é uma tendência crescente.

Feito por encomenda

Quando nasci
ou mesmo antes disso acontecer
havia uma sociedade desleal
criando um destino cruel
pra eu percorrer
e nem esperaram eu crescer
para perguntarem a mim
se era isso que eu queria ser,
de fato precaver
foi essa a intenção
pois se deixassem eu escolher meu espectro
não seria como sou
teria minha própria identidade
e essa suposta contrariedade
ao sistema social presente
seria o ato comummente
que o levaria ao caos permanente,
a minha atitude diferente
em relação ao modelo social proposto
faz com que eu seja somente um encosto
a essa estrutura hierárquica doente.

Se um só dos seus membros
propor uma quebra do paradigma social
expor a base para que haja uma sociedade
mais participativa e fraternal
isso será visto pelo poder despótico que nos rege
como algo mal
e essa minha mudança de conduta
faz com que eu represente um risco
ao sistema social
e esse mesmo nau
me vê junto as minhas ideias
como um simples animal
que deve ser combatido ferozmente
para manter a antiga ordem
intacta e uniformemente
igual,como sempre foi e talvez será
esperar, esse é o lema que nos impõe
como verdadeira doutrina
e esperando permanecemos
envelhecendo e apodrecendo na latrina
[social].

E o meu ideal
que nada,
é uma simples errata
perdida no arrebol da horda.
E nascido estou
formado e manipulado
como queriam,
me deram um nome,
uma missão, uma crença, um estado, uma religião
me deram deveres de cidadão
mas a liberdade, o livre arbítrio,onde estão?
eis a questão a ser definida,
junto a tudo isso
me deram também o ódio, a vingança, a dor
e me tiraram a vida
pois digo de imediato
que podem até tirar minha vida,
mas não a minha liberdade;
e essa minha concepção de realidade
essa busca incessante por verdade, variedade
por superação da autoridade
faz com que eu seja
um simples objeto de clandestinidade
e a sociedade, que se diz dona da verdade e da razão
que prioriza a liberdade de expressão
vive a satirizar meus trajes
e lançar ultrajes à minha opinião
e não há nada que se entenda,
o único espaço que tenho nessa sociedade
é como ferramenta, do poder sovino burguês
e na minha triste e cansada tez
desde que meu nascimento se fez
está epigrafada a mensagem que me representa:
Subalterno feito por encomenda.

Raphael Diniz

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Identidade Cultural: perda ou acréscimo de valores?

Quando pensamos em identidade cultural, logo nos vem à mente uma estrutura fixa e intocável de determinada sociedade ou grupo de pessoas. Será que é esse o verdadeiro significado dessa identidade? A seguir, segue uma entrevista com o professor Rogério Lustosa, que tornarão mais claras as idéias acerca desse tema:
  • O que é identidade cultural?

A identidade cultural é vista como uma forma de identidade coletiva característica de um grupo social que partilha as mesmas atitudes. Está apoiada num passado com um ideal coletivo projetado e se fixa como uma construção social estabelecida e faz os indivíduos se sentirem mais próximos e semelhantes. É ela responsável pela identificação e diferenciação dos diversos indivíduos de uma sociedade, sendo está comparada em diversas escalas. A identidade cultural de determinado povo está intimamente ligada à memória deste, mas não pode ser vista como sendo um conjunto de valores fixos e imutáveis que definem o indivíduo e a coletividade a qual ele faz parte. Faz parte do processo de sobrevivência das sociedades a incorporação de elementos novos e isso é o que as mantêm ao longo do tempo.

  • De que forma a identidade cultural influencia na relação individuo-sociedade?

A identidade cultural é fator condicionante da relação individuo-sociedade, pois é através dela que o individuo se adapta e reconhece um ambiente como seu. Dessa forma, sem a identidade cultural seria impossível que as pessoas se encaixassem em uma sociedade com características próprias. Segundo a percepção de identidade, a cultura adquire a função de delimitar as diversas personalidades e formar diferentes grupos humanos.
  • Quais são os fatores que levam a perda da identidade cultural? E como podemos evitá- la?

Com a pós-modernidade e com todo um processo de novas informações e tecnologias que cada vez mais aparecem, torna-se difícil a percepção de contornos nítidos do que chamamos “identidade cultural” de determinada sociedade. O termo “perda” não é, assim, o mais adequado a ser usado, já que as sociedades e suas diferentes culturas estão em constante dinâmica. Poderíamos falar de uma “crise de identidade” se considerássemos as mudanças freqüentes das sociedades modernas decorrentes do processo de globalização que de certa forma descaracterizam os grupos populacionais, mas as identidades culturais não são fixas e imutáveis.
  • Para as sociedades capitalistas, de que forma esse modelo econômico pode ser considerado um componente da identidade cultural ou um fator que leva à sua perda?

A identidade cultural e a unidade política num mundo dominado por grupos transnacionais que fundam seu poder no controle da tecnologia, da informação e do capital financeiro são bastante ameaçadas. Por isso, o sistema econômico capitalista exerce bastante influencia na perda dos limites que caracterizam as diferentes identidades culturais, apesar de fazer parte do conjunto de características das mesmas.


  • Em quais áreas a perda da identidade cultural é mais acentuada?

Estabelecer uma relação de maior ou menor perda em determinado aspecto cultural que em outro é algo errôneo. Ora, pois, se perdemos em um aspecto da identidade cultural (Dança, por exemplo) perdemos, automaticamente em outros (Vestuário, comida, folclore, entre outros). Devemos pensar a identidade cultural como um todo, composto por diversas partes, todas de fundamental importância, como um mosaico.



A seguir, um vídeo que também se relaciona ao tema:



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Componentes do grupo: Danielen Gonçalves, Amanda Araújo, Igara Letícia, Bruna Micthell.