quarta-feira, 17 de junho de 2009

Identidade Cultural: perda ou acréscimo de valores?

Quando pensamos em identidade cultural, logo nos vem à mente uma estrutura fixa e intocável de determinada sociedade ou grupo de pessoas. Será que é esse o verdadeiro significado dessa identidade? A seguir, segue uma entrevista com o professor Rogério Lustosa, que tornarão mais claras as idéias acerca desse tema:
  • O que é identidade cultural?

A identidade cultural é vista como uma forma de identidade coletiva característica de um grupo social que partilha as mesmas atitudes. Está apoiada num passado com um ideal coletivo projetado e se fixa como uma construção social estabelecida e faz os indivíduos se sentirem mais próximos e semelhantes. É ela responsável pela identificação e diferenciação dos diversos indivíduos de uma sociedade, sendo está comparada em diversas escalas. A identidade cultural de determinado povo está intimamente ligada à memória deste, mas não pode ser vista como sendo um conjunto de valores fixos e imutáveis que definem o indivíduo e a coletividade a qual ele faz parte. Faz parte do processo de sobrevivência das sociedades a incorporação de elementos novos e isso é o que as mantêm ao longo do tempo.

  • De que forma a identidade cultural influencia na relação individuo-sociedade?

A identidade cultural é fator condicionante da relação individuo-sociedade, pois é através dela que o individuo se adapta e reconhece um ambiente como seu. Dessa forma, sem a identidade cultural seria impossível que as pessoas se encaixassem em uma sociedade com características próprias. Segundo a percepção de identidade, a cultura adquire a função de delimitar as diversas personalidades e formar diferentes grupos humanos.
  • Quais são os fatores que levam a perda da identidade cultural? E como podemos evitá- la?

Com a pós-modernidade e com todo um processo de novas informações e tecnologias que cada vez mais aparecem, torna-se difícil a percepção de contornos nítidos do que chamamos “identidade cultural” de determinada sociedade. O termo “perda” não é, assim, o mais adequado a ser usado, já que as sociedades e suas diferentes culturas estão em constante dinâmica. Poderíamos falar de uma “crise de identidade” se considerássemos as mudanças freqüentes das sociedades modernas decorrentes do processo de globalização que de certa forma descaracterizam os grupos populacionais, mas as identidades culturais não são fixas e imutáveis.
  • Para as sociedades capitalistas, de que forma esse modelo econômico pode ser considerado um componente da identidade cultural ou um fator que leva à sua perda?

A identidade cultural e a unidade política num mundo dominado por grupos transnacionais que fundam seu poder no controle da tecnologia, da informação e do capital financeiro são bastante ameaçadas. Por isso, o sistema econômico capitalista exerce bastante influencia na perda dos limites que caracterizam as diferentes identidades culturais, apesar de fazer parte do conjunto de características das mesmas.


  • Em quais áreas a perda da identidade cultural é mais acentuada?

Estabelecer uma relação de maior ou menor perda em determinado aspecto cultural que em outro é algo errôneo. Ora, pois, se perdemos em um aspecto da identidade cultural (Dança, por exemplo) perdemos, automaticamente em outros (Vestuário, comida, folclore, entre outros). Devemos pensar a identidade cultural como um todo, composto por diversas partes, todas de fundamental importância, como um mosaico.



A seguir, um vídeo que também se relaciona ao tema:



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Componentes do grupo: Danielen Gonçalves, Amanda Araújo, Igara Letícia, Bruna Micthell.