segunda-feira, 1 de julho de 2013

A atualidade do Marxismo

        Atuou como filósofo, sociólogo, historiador, economista e jornalista e ainda hoje é admirado por suas teorias. Karl Heinrich Marx foi um intelectual alemão que, apesar de sua atuação em diversas áreas, fez diversas críticas às ciências particulares, pela parcialidade inclusa em cada uma delas. E esse foi um dos temas tratados na entrevista com o Dr. Cleito Pereira, especializado em Marx e professor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás.
De acordo com Cleito, Marx rejeitaria qualquer um dos títulos citados acima pois para ele o que existia era a ciência da história, portanto não poderia lhe ser atribuído denominações como filósofo, sociólogo e etc., apesar de que sua importância em todos esses campos é bastante reconhecida.
Algo que muitos argumentam contra o pensamento marxista é o fato de que foi embasado na problemática do proletariado de sua época, que incluía a longa jornada de trabalho, condições precárias nas fábricas, salários baixos e exploração dos trabalhadores. Em resposta a isso o marxista entrevistado diz que tais ideias ainda têm a ver com a nossa realidade. As melhorias nas condições de trabalho atuais têm que ser relativizadas, pois foram apenas no âmbito formal. A exemplo disso, cita a redução da jornada de trabalho que, embora  seja uma grande conquista, desencadeou na implantação de mais tecnologia nos meios de produção, estas racionalizam a produção, fazendo com que esses trabalhadores entrem em um ritmo de trabalho muito mais intenso, não tendo alteração quando se fala de exploração.
Um importante pensamento de Marx era de que a filosofia deveria partir da realidade pois, para ele, a filosofia deve partir do indivíduo real, para que faça sentido e surta efeito e não apenas de pensamentos do que pode ou venha a ser. Isso demonstra uma aversão de Marx ao pensamento utópico, embora muitos atribuam à sua proposta socialista.
Uma interessante análise feita pelo Dr. Cleito Pereira é sobre o ponto de vista precipitado de alguns de que Marx sugeriu um regime estatal. Isto deve-se  a sua primária teoria ter afirmado que o proletariado deveria assumir o Estado, porém depois reconhece que este iria, em um certo momento, atribuir privilégios a uma determinada classe. Por isso Marx, posteriormente, elabora uma teoria de autogestão, que se distancia do Manifesto Comunista - que muitos pensam ser a totalidade do marxismo. Marx com a autogestão sugeria a destruição do Estado e um governo do povo pelo povo.
Ainda falando sobre tal pensamento, Cleito critica a ideia que o regime democrático tenta passar de que a função do  Estado é proteger e zelar pelo povo. Para os marxistas, o Estado sempre vai estar a favor de uma classe específica, daqueles que detêm os meio de produção, e por conseqüência o capital, estes que atualmente seguem governando juntamente com os que escolhemos nas urnas. E isso se reflete, por exemplo, quando o Estado é chamado para intervir em conflitos sociais, como têm-se visto na onda de manifestos surgida no Brasil nos últimos meses, em que a polícia agride os manifestantes para dispersar os protestos, deixando claro a sua proteção à burguesia. Logo, fica evidente que, para os marxistas, a função principal do estado é a repressão.
Outra observação feita pelo entrevistado é que as pessoas se enganam ao pensar que a crítica de Marx ao capitalismo é unicamente política. Pelo contrário, ele propôs uma análise da totalidade da sociedade, e para isso é importante que se compreenda as individualidades daqueles que a compõem. "O método do Marx tem essa característica, ao afirmar que, se nós quisermos compreender uma realidade, uma totalidade, nós temos que mergulhar nas suas particularidades." afirma o professor.
Para finalizar, o entrevistado surpreende ao afirmar que não há como prever  a concretização da teoria marxista. Ele reconhece que Marx propunha a chegada a uma sociedade igualitária, comunista, mas que ainda assim, não propõe como se chegará a isso. “A minha expectativa é a mesma do Marx, é que um dia possamos construir uma sociedade de iguais, agora qual o nome dado a essa sociedade, se vai ser comunismo ou sociedade auto-gestionária, isso pouco importa. O que importa é que os seres humanos consigam visualizar e construir uma sociedade em que, de fato, as pessoas não sejam reprimidas e vivam a plena liberdade”, afirma o marxista.


Reportagem feita por: Elisama Ximenes, Victória Dinizio, Isabela Lacerda, Leticia Póvoa, Reidner Dantas e Natália Montalvão.

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