quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Invisibilidade Social


Por: Isabela Verri,Marcela Borges, Wynne Carneiro e Dayane Costa

            A invisibilidade social é um fenômeno decorrente da contemporaneidade, mas especificamente do século XX.  O termo invisibilidade social é um conceito que foi criado para designar as pessoas que ficam invisíveis socialmente, seja por preconceito ou indiferença. Esse conceito é bastante amplo, abarcando os vários fatores que levam a uma invisibilidade, tais como sociais, estéticos, econômicos, históricos, culturais, etc. Para as pessoas que sofrem com esse fenômeno, o fato que as identifica nessa minoria agredida é uma constante e latente humilhação. Todavia isso pode acarretar diversos problemas, como depressão, doenças psíquicas, distúrbios e o bullying.


O fenêmeno é determinado principalmente pelas influências sócio-econômicas advindas do sistema capitalista, o Neoliberalismo, e as crises  de identidade nas relações entre os indivíduos da sociedade moderna. Em cada caso há um tipo específico de invisibilidade social, que sempre ocorre em um contexto onde haja relações hierarquizadas, mesmo que irrefletido, e atingindo exclusivamente aqueles que estão à margem da sociedade, não se retendo apenas ao econômico, mas muitas vezes abrangendo-se nas ligações culturais, sociais e estéticas.

Em primeiro caso, decorrente do resultado econômico capitalista, há a invisibilidade pública; fenômeno condicionado a divisão social do trabalho, assim como classificou o psicólogo social Fernando Braga da Costa: “As relações trabalhistas influem a deixar de enxergar os sujeitos como seres transformadores e pensantes, tornando os homens-ferramenta”. Um exemplo disso seria a identificação de um garçom, pura e simplesmente, por sua função e uniforme, sem ater-se à singularidade do seu “EU”, ignorando seu nome, ignoramos também, sua personalidade individual, tornando-o um mero ser socialmente invisível. Outra abordagem de invisibilidade em função do modo de produção vigente é a partir da “Cultura de Consumo”. Esta nova cultura cria necessidades na particularidade dos indivíduos, ludibriando-os a acreditar que os bens materiais são necessários para a construção de uma identidade e um reconhecimento social, isto é, fazendo-os, assim, adquirir esse novo valor de consumo com o falso slogan: “somos o que temos”. Tudo em prol da visibilidade social.

No segundo caso, é necessário estabelecer uma comparação entre o indivíduo e sua identidade social – definida pela relação entre o EU e OUTRO. Assim, como DaMatta sugere em seu livro “O que é o Brasil?”  a existência de dois espaços básicos brasileiros: a casa e a rua. Essa teoria alude muito a questão de visibilidade social.  A casa reflete ao privado – não somente a morada, como as redondezas do bairro-, lá o indivíduo torna-se sujeito em tom de pessoalidade exacerbado, um ser totalmente visível. Ao contrário da rua, o público, que transforma o sujeito em indivíduo, um ser impessoal, caracterizado pela função do trabalho. Invisível socialmente, visível funcionalmente. Essa divergência de identidades traçadas pelo OUTRO, fazem com que o indivíduo entre em crise sobre sua verdadeira identidade. E é a partir daí que se cria outro tipo de invisibilidade social, a invisibilidade pela indiferença. Esta indiferença pode ser oriunda de um não destaque por parte do indivíduo ou por um estigma de preconceito por não se adequar à “normalidade”. Muitas vezes, a indiferença não é por insensibilidade ao outro, mas uma autopreservação, de evitarmos nos conscientizar do que é doloroso; um exemplo: são os pedintes e profissionais do sexo.

            A invisibilidade social, como citado anteriormente, leva ao desprezo e à humilhação.  Tais sentimentos, levam as pessoas à processos depressivos. De acordo com Gachet, “‘Aparecer’ é ser importante para a espécie humana, ser valorizado de alguma forma é parte integrante de nossa passagem pela vida, temos que ser alguém, um bom profissional, um bom estudante, um bom pai, uma boa mãe, enfim, desempenhar com louvor algum papel social”. Isso nos leva a outra conseqüência da exclusão social: a mobilização dos “invisíveis”. Esse grupo é formado por pessoas que se juntam para poder “aparecer”. Alguns exemplos: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem terra), a Central Única de Favelas (CUFA), fóruns nacionais, etc. Além de grupos ditos oficiais, o indivíduo muitas vezes se sujeita a vestir-se, falar e comporta-se de uma maneira diferente. Sob as influências sócio-econômicas está a compra de roupas, acessórios, produtos eletrônicos e da moda que adéqüe o indivíduo em certo grupo social.

            O Bullying refere-se a atitudes ameaçadoras que se processam por meio de agressões físicas ou verbais e que podem impedir o desenvolvimento físico e emocional saudável. Segundo pesquisa realizada em 2002 e 2003 com 5500 alunos de quinta a oitava séries, grande número deles já se envolveram com isto, quer como agredidos, quer como agressores. A palavra vem do inglês e pode ser aplicada nos casos em que a criança recebe apelidos por suas características: ser muito alta, muito magra ou gorda ou naqueles manifestados fisicamente em que os mais fortes agridem o mais fraco. Algumas crianças têm de trocar de escola e outras não conseguem convencer os pais de perceber o que está acontecendo com elas. 

Com as informações concentradas nos parágrafos anteriores, podemos observar os impactos da Invisibilidade Social na sociedade contemporânea. Pequenos fatos que, acumulados, tornam proporções gigantescas e afetam diretamente as relações entre os indivíduos, qualidade de vida, questões econômicas, etc. Movimentos para confrontar de maneira prática essa invisibilidade são criados e tentam fazer a diferença, expondo a opinião de minorias, que outrora estariam condenadas ao limbo. Tratamentos psicológicos e psiquiátricos fornecem um feixe de luz no fim do túnel para quem já sofreu os impactos do Bullying, da pressão social para “ser alguém”. Tais soluções citadas, dentre inúmeras, provam que a solução para essa invisibilidade é conquistada a longo prazo e seus resultados podem não ser 100% eficazes, pois seus danos, em casos, são irreparáveis.

Os “invisíveis” estão ali, prontos para ocuparem o papel de coadjuvantes e não incomodarem a consciência burguesa. Uma realidade desagradável, porém concreta, que deve ser melhor trabalhada por  órgãos responsáveis para, num futuro próximo, ser reduzida a níveis aceitáveis.

 

2 comentários:

  1. O tema é interessante e a abordagem também. Apesar de algumas passagens que necessitariam maior desenvolvimento e algumas afirmações uma tanto quanto demasiada simples e mais preso às representações cotidianas (afirmação de Gachet), e alguns itens que poderiam ser trabalhados (status, por exemplo), ficou bom.

    (9,0)

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  2. Concordo com o autor acima. O tema é muito extenso para esse breve " resumo " que você fez

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