terça-feira, 2 de julho de 2013

Entrevistas sobre luta de classes e a onda de protestos no Brasil.

Carolina Otto; Carol Ceo; Victor Lemos; Italo Wolff; Lucas Gomes; Rithelly Samara;


O momento histórico no qual o Brasil esta inserido trouxe a tona os problemas que o capitalismo gera, principalmente a desigualdade social. Quando o estado não conseguiu prover transporte publico de qualidade e ainda assim aumentou o preço das passagens de ônibus, a população (principalmente a classe media) decidiu se rebelar e ir às ruas protestar.
Tais protestos incitaram o povo a reivindicar alem do transporte: saúde, educação e reforma política. Sendo assim o povo, que se comportava passivamente, mostrou que também podia se rebelar.
A seguir abrimos uma discussão sobre o conceito de luta de classes por Marx relacionando aos protestos com o conceito. Essa discussão foi feita com estudiosos de historia e de ciências sociais da Universidade Federal de Goiás, tendo como foco principalmente os protestos em Goiânia.


ENTREVISTADOR:
Como você relaciona as proposições de Marx com as propostas que os manifestantes estão fazendo?

JOÃO AFONSO:
Cursa História na UFG

Tratando-se do movimento Passe Livre, observa-se um anseio do deslocamento para o âmbito público o transporte coletivo, que está no âmbito privado.
Discute-se sobre trocar o valor do transporte. Em lugar de um valor de troca, é proposto o valor de uso à tarifa.
Sobre a luta de classes, eu entendo que a atual manifestação, apesar de, inicialmente, ser classista, tornou-se uma luta relativa ao sistema político em detrimento das críticas ao sistema econômico, congregando várias classes com as mesmas reivindicações. Portanto, não seria mais uma luta de classes.


IAGO MONTALVÃO:
Cursa História na UFG

Acredito que as manifestações pelo passe livre tinham caráter classista. Mas essa pauta classista se perdeu, juntamente com o tom de revolução, resultando numa queda das manifestações ao vazio, perdendo o sentido, uma vez que se torna um movimento do explorador que marcha ao lado do explorado, caracterizado por um viés apartidário.
A prova disso são as reivindicações conservadoras de direita (como a redução da maioridade penal, ou proibição do aborto) em meio a um protesto de esquerda progressista.

RAFAEL BARRA
Cursa Ciências Sociais na UFG

Ao mesmo tempo que o movimento é marcadamente classista, perde um caráter de classe ao se tornar parte de um movimento anti-conflito. A apropriação do grande capital (direita, mídia) que tenta trazer a perspectiva legalista ao movimento com seu discurso de não violência tira da luta o que há de luta.

DANILO SANTANA
Cursa Ciências Sociais na UFG
Eu observo uma cooptação do movimento pela Grande Mídia e pelo estado. Acredito que haviam pessoas com consciência de classe nas passeatas, mas haviam muitas pessoas que estavam ali sem saber o porquê.
Quanto ao “gigante que acordou”, eu acho que esse gigante é um Leviatã.

CARLOS MAGNO
Cursa Ciências Sociais na UFG

Acredito que a manifestação é filha da luta de classes, resultado das contradições do capital. A temática dos protestos tem sido ligada à classe trabalhadora, mas não é resultado de uma consciência de classe. Ela poderia ser algo embrionário à essa consciência, mas ainda puramente reativa.

Ainda não se reflete a respeito do papel do estado ou sobre o sistema econômico. O preço da passagem abaixou, mas o dinheiro que as companhias de ônibus vão perder será descontado do ICMS dos trabalhadores, ou seja, novamente quem paga somos nós. E isso não gerou revolta. Isso prova que não há uma crítica estrutural, apenas reação às circunstâncias imediatas.

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